O biscoito escrevido

Já tínhamos ouvido contar histórias sobre o biscoito escrevido pelas vozes de Tião Rocha, esse educador de dimensões de árvore, que desse tradicional biscoito alimentou de letras muitos meninos do Vale do Jequitinhonha.

Mas quem nos apresentou o gosto que ele tem foi a Maria, nossa anfitriã na Comunidade do Córrego da Velha Debaixo.
O forno de tambor de lata começava arder quando chegamos para almoçar em sua casa. “O que vai fazer aí Maria?” perguntei. “Biscoito escrevido” respondeu. Ótimo, era a chance de ver fazer e comer quentinho esse importante representante da culinária local.

Enquanto o forno ia esquentando nós tentávamos esfriar a quentura do corpo depois de uma manhã ardendo entre uma brincadeira e outra com a meninada. Os nossos meninos estavam encardidos pelo pó seco misturado com o suor, que para aliviar, só mesmo um banho no tanque.

Para enviar biscoito aos parentes de longe, Maria usou na receita 5 dúzias de ovos, 5 kg de polvilho doce, 5 colheres de sal, erva doce, 2 litros de óleo e 2 litros de água. Misturou tudo e depois de sovar dava fortes batidas na massa, que segundo ela, tira o gosto do ovo.

O trabalho foi em família, Maria desenhando formas nas travessas, seu marido colocando e tirando as formas do forno e sua filha desinformando os biscoitos e secando o suor dos pais com a toalha pelo ombro. Todos trabalhando e comendo ao mesmo tempo.
Escrever é tão gostoso como um biscoito escrevido da Maria.

Texto e fotos: Renata Meirelles

Fonte:  Território do Brincar

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