As pedagogias do CPCD

A Pedagogia da Roda

A pedagogia da roda privilegia o diálogo e a não-exclusão. A matéria-prima de todo o processo de aprendizagem são as pessoas – seus saberes, fazeres e quereres – pois educação é algo que só acontece no plural. Cada um é sujeito da aprendizagem com suas diferenças e experiências de vida, contribuindo com sua formação e a dos demais componentes da roda, em um espaço horizontal e igualitário. A Pedagogia da Roda nos ensinou que “um ponto de vista é a vista a partir de um ponto.” Por isso, cada pessoa é única, porque do lugar e da experiência que ela ocupa, seu olhar, visão e perspectiva são também únicos, E aprender a olhar o mundo pelo olhar dos outros, melhora o nosso próprio olhar. Na roda, educadores e educandos, são aprendizes permanentes, pois fortalece as identidades culturais locais, o que se converte em mais solidariedade e espírito comunitário. “A roda roda e rola. A roda roda e para. A roda é o símbolo da parceria. É o espaço onde a conversa rola”.

No exercício de manter os alunos interessados e combater a evasão, descobrimos a pedagogia da roda. Todo mundo se vê, não tem dono, a roda tem uma idéia que pertence a todo mundo, todo mundo é educador e a roda não faz eleição, faz consenso. Tudo que é levado à roda pode ser estudado e aprendido, só tem que organizar o momento. O que não queremos aprender hoje vamos aprender amanhã. Não exclui nada, não joga nada fora. Não tem seleção, não tem exclusão, não tem vitória da maioria. A roda constrói uma pauta, estabelece um processo, uma avaliação e faz a memória. Ela pensa, age e volta. Foi um jeito de praticar Paulo Freire.Isso surgiu como uma experiência, não foi uma solução mágica. Eleição é legal do ponto de vista democrático, mas, do ponto de vista educacional, é excludente. Quem propõe uma idéia e é derrotado duas ou três vezes, acaba não voltando. Mas não podemos perder ninguém. O que a gente faz? Vamos mudar o jeito. Tudo o que for falado a gente vai estudar.As pessoas começam a ter uma participação qualitativa, todo mundo querendo trazer boas contribuições. E paramos de perder gente da roda.”

Tião Rocha

A Pedagogia do Abraço

Nos tornamos – teimosa e ousadamente – “inventadores” de pedagogias: primeiro a pedagogia da roda, depois a pedagogia do brinquedo, em seguida a pedagogia do sabão. Hoje incluimos também a pedagogia do abraço, que desenvolve o espírito solidário e afetivo nos grupos, rompendo com a ideologia do auto-desprezo que contamina e subjuga crianças e jovens discriminados e miserabilizados. A Pedagogia do Abraço, têm como premissa o investimento na afetividade – palavras, atitudes, afetos e cafunés pedagógicos – fazendo da diversidade, riqueza. A sua aplicação dentro dos projetos educacionais, possibilita a melhoria da comunicação e a inclusão social, estimula a participação, a formação da identidade, o fortalecimento da auto-estima, a integração da equipe, a idealização de espaço solidário, a relação de iguais entre pessoas diferentes. Facilita a organização do trabalho e todo o processo de aprendizagem.


Pedagogia do Brinquedo

A Pedagogia do Brinquedo surgiu como resposta às seguintes perguntas: “será que as crianças podem aprender tudo o que precisam aprender, no seu tempo e no seu ritmo, brincando alegremente?” “a escola pode ser alegre ou precisa ser carrancuda, de mal com a vida?” “é possível construir uma escola tão boa que alunos, professores e funcionários exijam aulas aos sábados, domingo e feriados?” A Pedagogia do Brinquedo responde que sim! Aprender e ensinar brincando traz em si toda a riqueza de possibilidades de relacionamento e companheirismo, socialização e troca de experiências, conhecimento do outro e respeito às diferenças, desejos e visões de mundo, elementos essenciais para construção de uma relação plural entre educadores-educandos, condição básica para existência de uma prática educativa de qualidade e para a descoberta e apropriação do “mundo dos saberes, dos fazeres e dos quereres”: das letras, dos números, das idéias, dos fatos, dos sentimentos, dos valores, da cidadania, dos sonhos…

Aprender e ensinar brincando! A ‘damática’, por exemplo, que surgiu para resolver problema de aprendizado. Hoje temos os bornais de jogos, com mais de 150 jogos diferentes. E a gente podia fazer isso com os recursos disponíveis. E tudo tem que ter pelo menos duas funções. No caso dos brinquedos, eles são aproveitados para o ensino. É muito mais gostoso aprender brincando. O que a gente faz é pensar como o brinquedo pode ser construído e como ele pode ser usado para tornar o aprendizado divertido, encantador”.

Tião Rocha

A Pedagogia do Sabão

A Pedagogia do Sabão é resultante do “aprender fazendo”, partindo do “inconsciente coletivo” das pessoas, recuperando práticas tradicionais e incorporando novos valores. Busca a auto sustentabilidade, o desenvolvimento integral e a formação solidária das pessoas envolvidas. Utiliza os saberes e fazeres culturais dos participantes como matéria-prima de ações pedagógicas, trabalhando com soluções e alternativas que integram satisfação econômica, valores humanos e culturais, compromisso ambiental e empoderamento comunitário. A lógica da pedagogia do sabão, nada mais é do que a apropriação e adaptação de tecnologias de baixo custo ou de custo zero, que podem ser replicadas em qualquer comunidade.

Tião Rocha

Pedagogia do Copo Cheio

O IDH – “índice de desenvolvimento humano”- mede as carências, o lado vazio do copo. Por isso, optamos por trabalhar, estrategicamente, com o IPDH – “índice de potencial de desenvolvimento humano”- que mede as fortalezas, o lado cheio do copo, que é formado pela capacidade de Acolhimento, de Convivência, de Aprendizagem e de Oportunidade de uma comunidade. As iniciais destas palavras – acolhimento, convivência, aprendizagem e oportunidade – formam a palavra ACAO, expressão e palavra-síntese do trabalho a ser desenvolvido.

– Olhar a comunidade não por suas carências, mas pela sua potencialidade é construir um novo paradigma, um novo jeito de olhar, pensar e atuar. Investir e maximizar os potenciais de “AÇÃO” é a nova estratégia.
– Aprender os “pontos luminosos” e transformá-los em “feixes de luz e calor”, é compromisso de toda equipe.

O CPCD é uma das 13 ONGs apoiadas pelo Burger King por meio do Movimento Arredondar, uma ONG que apoia outras ONGs coletando microdoações por meio do arredondamento de centavos do troco no varejo e no e-commerce.

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