Image Image Image Image Image
Scroll to Top

To Top

Um professor que deixou a universidade para ser educador

On 09, maio 2014 | 3 Comments | In | By CPCD Bhz

Um professor que deixou a universidade para ser educador

Por Artur Louback,  foto Marcus Desimoni

São Paulo – Antropólogo por formação acadêmica, educador popular por opção política, folclorista por necessidade, mineiro por sorte e atleticano por sina.

É assim que Tião Rocha, de 65 anos, se autodefine. Há três décadas, ele abandonou a cadeira de professor na Universidade Federal de Ouro Preto para mergulhar no interior de Minas Gerais e fundar uma ONG — o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD).

“Cheguei à universidade e falei: ‘A partir de hoje, não quero mais ser professor. Quero ser educador. Professor ensina e educador aprende. E eu tô passando da hora de sair do lugar da ensinagem pra passar pro lugar da aprendizagem.’ E fui embora.”

Tião partiu então para a cidade de Curvelo. Ali passou a testar na prática o verbo “Paulofreirar”, que cunhou em homenagem ao educador e filósofo Paulo Freire.

Hoje, o CPCD atua ativamente em dez municípios brasileiros, beneficiando 8.000 pessoas em suas bases de Minas Gerais, São Paulo e Maranhão, nas quais trabalham 80 funcionários e 135 bolsistas (jovens e mães que recebem uma ajuda de custo para colaborar com atividades em sua comunidade).

Em três décadas, a ONG contabiliza quase 117.000 pessoas atendidas pelos diversos projetos, que vão desde atividades para crianças (como contação de histórias, danças de roda, criação de brinquedos e pintura com tinta de terra) até oficinas profissionalizantes para jovens (como marcenaria, vídeo, artesanato e produção de soft­wares), passando pelo aprimoramento de técnicas agrícolas.

Tudo gratuito, graças ao apoio de grandes empresas, como Petrobras e Fundação Vale.

Tião Rocha é visto hoje como um decano do terceiro setor brasileiro, respeitado por entidades multinacionais, como as fundações Avina e Ashoka, que apoiam líderes com alto potencial de impacto social. Essa deferência já o levou a países como Moçambique e Guiné-Bissau, onde ele colaborou com a implantação de projetos inspirados no CPCD.

“Quando a gente chega a uma comunidade e nota que as pessoas estão com a autoestima muito baixa, a primeira coisa é fazê-las acreditar nas potencialidades que já têm”, diz Tião, explicando seu conceito de “empodimento”, uma corruptela bem-humorada do inglês empowerment. “Se eles alcançarem o ponto de falar ‘Quer dizer que nóis pode?!’, tá ótimo! A concordância resolvemos depois.”

Fonte: Você S.A.

Comments

  1. Gostaria de te convidar para um seminário de Educação para Valores Humanos
    Me passa seus contatos
    Obrigada

  2. Leide Costa

    Parabéns! Você conseguiu realizar o meu sonho. Já faz tempo que penso assim e logo que me aposentar, o que vai ocorrer muito em breve, vou iniciar algo deste tipo, com o devido “empodimento” já em curso – sou professora municipal/estadual e vivo tentando fazer entender que todos podemos tudo. É só querer e correr atrás.

Submit a Comment

Nós do CPCD juntos com a Brazil Foundation convidamos você a participar da  campanha “Abrace uma Vila Saudável! Apoie uma vida mais digna e saudável para famílias do Maranhão”.

Com a sua ajuda vamos transformar a vida de mais 10 famílias da Vila Cocal e da Vila Pindaré.

O CPCD atua no Maranhão desde outubro de 2013. Com o apoio da Fundação Vale já tornou possível a instalação de mais de 200 “kits de sustentabilidade” junto com famílias de Vila Cocal e Vila Pindaré, comunidades localizadas nos municípios de São Pedro da Água Branca e Buriticupu.