Tião Rocha acredita na educação que acontece em comunidade

“É possível fazer educação embaixo de um pé de manga?”. Esta pergunta foi feita há mais de vinte anos pelo educador popular, antropólogo e folclorista, Tião Rocha, por acreditar que era possível criar um espaço onde as crianças pudessem, de fato, ser criança. E a resposta foi sim, motivando a fundação, em 1984, do Centro Popular de Cultura e Desenvolvido (CPCD).

“A pergunta sempre foi se era possível fazer educação sem escola, sem prédio, sem estrutura física. E aprendemos que é possível sim, mas somente se tivermos bons educadores”, conta Tião, que ressalta ainda: “professor é aquele que ensina, quem repassa a informação; educador é aquele que aprende, que constrói junto.”

O CPCD são conhecidos em todo o Brasil devido à metodologia, que valoriza as comunidades e os atores sociais como peças imprescindíveis no processo de ensino. Para Tião, “educação é algo que só ocorre no plural”, ou seja, é necessário existir mais de uma pessoa para que ela aconteça. “Você aprende na relação com o outro, que não é igual a você, é diferente; na aprendizagem, você troca o que tem pelo que não tem, senão não faz sentido”, afirma.

O trabalho no CPCD valoriza a formação continuada, ou permanente, por ter a certeza de que somente a existência de educadores comprometidos e bem formados, ética e tecnicamente, trará êxito aos projetos. Neste sentido, o Centro capacita pessoas da comunidade para que se tornem: provocadores de mudanças, criadores de oportunidades e construtores de cidadania. “Nos perguntamos: aonde estão os bons educadores? Então percebemos que eles não estão sendo formados, nem em quantidade nem qualidade, por quem deveria formá-los: a universidade. Como as crianças não esperam, elas crescem, fomos por outro caminho, ou seja, passamos a nós mesmos formar os profissionais que trabalham conosco da forma que achamos ideal”, conta.

A participação dos membros da comunidade é essencial, não apenas como beneficiários, mas sujeitos e parceiros em todas as etapas dos projetos. É o que possibilita o enraizamento das propostas, a garantia de sustentabilidade ao longo do tempo, a apropriação de novos conhecimentos pelas comunidades-alvo, a geração de novas tecnologias e a formulação de indicadores de qualidade.

Desta forma, a “sustentabilidade” é trabalhada pelo CPCD com quatro dimensões: compromisso ambiental, valores humanos e ambientais, satisfação econômica e “empodemento comunitário” (uma tradução própria para “nós podemos”). Para isso, existem dois programas articuladores: “Meu lugar é aqui” e “Cuidando dos Tataranetos”. “Trabalhamos com a ideia de pensar em lugares humanizados e viáveis para todos e para sempre”, esclarece Tião. Além do trabalho com o CPCD, Tião é autor de obras de desenvolvimento cultural e comunitário e membro de várias organizações de fomento a iniciativas na área. Seu trabalho é baseado em questionamentos, os quais garantem o crescimento estrutural e educacional de todos os envolvidos nos projetos.

Centro Popular de Cultura e Desenvolvido O CPCD é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos e de utilidade pública federal, fundada em 1984, pelo educador e antropólogo Tião Rocha, em Belo Horizonte-MG, para atuar nas áreas de Educação Popular de Qualidade e Desenvolvimento Comunitário Sustentável, tendo a Cultura como matéria prima e instrumento de trabalho pedagógico e institucional. A ONG dedica-se à implementação e realização de projetos inovadores, programas integrados e plataformas de transformação social e desenvolvimento sustentável, destinados, preferencialmente, às comunidades e cidades brasileiras com menos de 50 mil habitantes, onde vivem mais de 95% da população brasileira.

Fonte: JM Educação

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