Não objetivos educacionais

Texto de Tião Rocha . Foto de Danilo Verpa

Há exatos 30 anos (1984) eu escrevi e publiquei os “NÃO OBJETIVOS EDUCACIONAIS”.
A estratégia era: se nós não os praticássemos, o resto seria lucro.

A questão era “não cair na vala” e reproduzir nas novas gerações o que se passou conosco.
Revisitando este documento, sinto que ele, infelizmente, ainda é atual.

Não Objetivos Educacionais:

  • criar uma relação desigual (ou a dialética do “senhor-escravo”) entre crianças e adultos;
  • fazer da criança um objeto do interesse dos professores e pais, vista como “ser sem vontade e vida própria”;
  • repassar os nossos modelos e qualidades de vida como “soluções” para as crianças;
  • pensar na criança como “página em branco” onde podemos escrever o “nosso” livro;
  • ver a criança como “adulto que não cresceu”;
  • cortar das crianças seus sonhos e criatividades;
  • acreditar que nossos conhecimentos são únicos e verdadeiros;
  • criar nas crianças o espírito possessivo de competição, concorrência e individualismo;
  • produzir pessoas omissas, alienadas e sem identidade cultural;
  • ensinar às crianças que “o mundo é dos mais fortes, mais espertos ou mais ricos”;
  • podar o espírito crítico, observador e inquiridor das crianças;
  • fazer das crianças e principalmente dos professores, eficientes e cordatos cumpridores de tarefas e repetidores de idéias e conceitos alheios;
  • criar uma escola que seleciona;
  • preservar o conceito de escola como um lugar “chato”, onde o autoritarismo reina, o castigo impera, a prepotência governa e a desigualdade domina;
  • manter a escola como um lugar onde se entra, mas não se permanece; onde se matricula, mas não se continua; onde se estuda, mas não se aprende.

Tião Rocha

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