Litza Mattos
Colaboradora
Thiago Neves Silva tem apenas 11 anos, mas um sonho ousado, dançar na
companhia russa de Teatro Bolshoi. Sonho este, que já se realizou,
devido à recente parceria firmada com a montadora Fiat e a sede da
escola localizada em Joinville, Santa Catarina. Com essa aliança o
Bolshoi irá beneficiar mais de 240 alunos, de 9 a 20 anos, apenas neste
ano, selecionados no Brasil inteiro. Dentre os alunos, 88% são
bolsistas e têm todas as despesas custeadas pela instituição.
Para a coordenadora dos projetos de relacionamento com a comunidade da
Fiat, Ana Luiza Veloso, as ações de responsabilidade praticados pela
Fiat se intensificaram desde 1997, focadas principalmente em ações
ligadas à educação. De acordo com Ana Luiza, as atividades sempre foram
de interesse da empresa, desde que se instalou na região metropolitana
de Belo Horizonte, apesar de, no início serem esparsas.
A Fiat procura atuar, em cada projeto, de forma diferenciada. Com o
Bolshoi, a principal forma de atuação da empresa será por meio de
investimentos e acompanhamento das atividades para melhores resultados,
haja vista que a instituição já possui ampla infra-estrutura montada.
‘Estaremos presentes pessoalmente, faremos visitas periódicas,
buscaremos parcerias e formas de desenvolver em conjunto a melhor forma
de atuação‘, explica Ana Luiza Veloso.
A coordenadora explica que, no final de cada ano acontece a seleção
para os projetos que serão apoiados pela montadora durante todo o ano
seguinte. Em 2008, cerca de nove projetos serão contemplados com o
apoio da organização. O patrocínio acontece por meio da Lei Federal de
Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet, e busca fortalecer o
trabalho de responsabilidade social desenvolvido pela empresa, cujas
atividades contribuem para o desenvolvimento social, cultural e
econômico dos moradores das comunidades onde estão inseridos.
Com mais de dois séculos de história, a Escola do Teatro Bolshoi no
Brasil é a única escola no mundo, que a Rússia mantém fora do país de
origem. Como forma de valorizar a história e dar prosseguimento no
trabalho, a união entre a montadora e a instituição, formalizada na
primeira quinzena de março, foi construída por meio da admiração e
respeito que a montadora já tinha pela escola Bolshoi, reunindo assim,
educação e cultura. ‘As empresas possuem o mesmo alinhamento, acreditam
em programas sociais que possibilitam o caminho autônomo, não só de
ações filantrópicas e pontuais‘, ressalta Ana Luiza. Para a
coordenadora, a rigidez nos padrões de educação e disciplina,
praticados pelo Bolshoi, são fatores que possibilitam a verdadeira
inclusão e transformam vidas.
Realizar sonhos e difundir a arte e a educação
A escola russa não só forma jovens carentes de todo o Brasil, mas
também adota como sua missão desenvolver o lado artista-cidadão,
promover e difundir a arte-educação entre os alunos. A qualidade e o
desempenho pedagógico são acompanhados de perto por meio de avaliação
dos professores russos vindos de Moscou.
Maicon Ribeiro de Paula, 16 anos, estuda dança contemporânea no Bolshoi
há três anos, quando saiu de Araçuaí, município localizado no Nordeste
de Minas Gerais a 678 km de Belo Horizonte. Na cidade mineira ele já
havia participado de outros projetos dentre eles ‘Meninos de Araçuaí‘
de autoria do cantor Milton Nascimento. ‘Perdi a conta das
apresentações que fiz, não tenho uma preferida, todas são ótimas, faço
com o maior prazer‘, diz. No Bolshoi o adolescente mora com mais 12
crianças de outros estados e cidades. Para ele foi difícil acostumar
com o clima frio da região sul, bastante diferente do nordeste mineiro.
‘Mas se você gosta fica mais fácil de aprender‘, justifica Maicon.
Seguindo para o quarto ano no Bolshoi, o aluno garante que o balé
trouxe benefícios para a sua vida, dentre elas o aprendizado e as
amizades. Ele não esquece as origens e conta que seu principal sonho é
poder ajudar a família que continua em Minas Gerais.
Há apenas um ano Thiago Neves Silva, 11 anos, também deixou Araçuaí e
se mudou para Joinville, cidade sede da companhia. Ele conta que hoje a
família sente-se orgulhosa e arrisca a ensinar alguns passos para os
amigos mineiros, mas nem sempre foi assim. O menino que estuda dança
clássica, revela que não tinha nenhuma experiência com o balé e que
para fazer o teste teve que convencer a mãe, depois de muito choro.
Hoje o menino nem pensa em parar. ‘Foi difícil apenas no primeiro ano,
nunca tinha ficado longe da minha mãe muito tempo, mas como eu não ia
desistir, tento matar a saudade quando posso‘, confessa o garoto, que
duas vezes por ano retorna a cidade natal.
Além da formação em balé e outras danças, os alunos provenientes de
famílias carentes, por meio das parcerias firmadas pelo Bolshoi,
recebem gratuitamente benefícios como estudo, alimentação, uniformes,
figurinos, materiais didáticos, transporte, orientação pedagógica e
assistência médica. O complexo escolar, de seis mil metros quadrados, é
formado por salas de balé, estúdios de música, ateliê, núcleo de saúde,
biblioteca, cantina, espaços culturais e dois laboratórios cênicos.
Dentre as disciplinas oferecidas estão a dança clássica; popular,
folclórica, prática cênica, ginástica e literatura musical.
Atuação e preocupação em âmbito nacional
Dentre as ações sociais previstas pela Fiat para 2008, grande parte
delas serão realizadas em Betim, município que abriga a fábrica da
montadora. Os eixos norteadores dos projetos sociais da Fiat
proporcionam uma gama variada de direcionamentos.
De acordo com a coordenadora dos projetos de relacionamento da Fiat,
Ana Luiza Veloso, mesmo sendo diferentes as áreas de ação, há uma linha
mestra vinculada à educação, cidadania, inclusão social e cultura
presente em todos os projetos beneficiados em âmbito nacional. Na
capital mineira, um exemplo é o apoio à criação da Rede de Defesa dos
Direitos da Criança e do Adolescente. Com essa rede pretende-se
capacitar cerca de 80 instituições de Betim para melhor atendimento aos
jovens.
No projeto Cidadania para o Presente, gerido pela ONG Instituto Casa
Santa, a Fiat vai contribuir para o desenvolvimento de 120 meninos e
meninas do bairro Citrolândia, um dos locais mais violentos da grande
Belo Horizonte. Em Betim, o projeto Muros do Jardim Teresópolis, forma
40 jovens da comunidade em técnicas artísticas para que eles possam
intervir em muros, becos e casas do bairro.
Para a coordenadora da Fiat, ‘o jovem representa para a empresa a
possibilidade de transformação. Este público pode ser potencializado
pra que sua realidade mude‘, explica Ana Luiza.
Na vertente da cultura, a Fiat patrocina o projeto de revitalização do
Teatro Redenção, prédio histórico do município de Sete Lagoas, no
interior do estado. O apoio ao Salão das Artes, promovido pelo Serviço
Assistencial Salão do Encontro, prevê a realização de 13 oficinas
direcionadas ao desenvolvimento das artes populares e tradicionais, com
o objetivo de preservar essa tradição e gerar oportunidades de emprego
e renda.