Folclore
Edição Janeiro/Fevereiro de 1999
História em forma de festa
Das guerras medievais e das passagens bíblicas até as intrigas palacianas na África, o folclore pode render aulas fascinantes
Reflexo/Pedro Vargas
Ruas de São Manuel (SP) enfeitadas para o Corpus Christi: a tradicional festa católica é comemorada no país inteiro com cerimônias religiosas


las são coloridas, alegres, devotas. Seus participantes rezam, cantam, dançam e até simulam batalhas medievais. As festas folclóricas brasileiras são uma fonte preciosa da história do nosso povo. De origens conhecidas ou anônimas, elas guardam em sua essência – que é também a da formação do povo brasileiro – elementos de diferentes culturas. Trabalhar com as festas folclóricas em sala de aula não é apenas uma maneira de contar a nossa história. É, sobretudo, um instrumento para revelar e reforçar a identidade dos alunos.



Folclore se aprende em casa
As manifestações culturais de um grupo social – festas, crenças, superstições, danças – são consideradas folclore desde que sejam tradicionais (praticadas há várias gerações), funcionais (satisfaçam necessidades da comunidade) e tenham aceitação coletiva. Segundo o antropólogo e folclorista Tião Rocha, presidente do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento de Belo Horizonte, é fundamental que os alunos identifiquem o folclore onde eles vivem e não tenham a sensação de que é preciso ir buscá-lo em lugares distantes. “Todos nós, independentemente de classe social e faixa etária, somos portadores de folclore”, afirma ele. Por isso, qualquer trabalho escolar sobre as festas populares deve ser precedido por uma pesquisa das manifestações folclóricas dentro de casa, no bairro e na comunidade. Só então o aluno estará preparado para estudar outras manifestações culturais, sem considerá-las exóticas. Tião desenvolveu um roteiro de pesquisa sobre folclore já aplicado, com sucesso, em várias escolas da capital mineira. Nele, alunos de 1a a 8a série pesquisam em casa, entrevistando pais, avós e vizinhos sobre temas que revelem a existência de raízes folclóricas. Por exemplo: que brincadeiras fazem as crianças? Como a família comemora um nascimento ou um casamento? Que tipo de comida é servida em dias de festas? Assim, os alunos perceberão que, como eles, existem outras pessoas em outros lugares que também possuem hábitos, costumes e tradições próprias e as atividades sobre folclore farão mais sentido.


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