Reportagem de capa
Edição Nº146
Outubro de 2001
Exclusivo On-line
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10 motivos para ser professor
 
Alice Hattori

Moacir Gadotti

Educador e filósofo

Os dias atuais exigem um novo jeito de ensinar. Longe daquele professor prostrado frente à sala falando sem parar. Novos tempos, novas exigências. A informação está em todos os lugares: letreiros, outdoors, livros, internet, jornais, televisão... Mas como fazer os alunos analisar, sintetizar e interpretar todos os dados? Eis a competência que todo professor deve desenvolver. Somente assim, você estará formando pessoas que de fato serão participantes ativos de nosso tempo.
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Quem reclama demais, compara demais o jeito e a maneira de ser das novas gerações, está parado no tempo. Não evoluiu e nem acompanhou as mudanças do mundo. Se não compreende uma gíria, uma roupa, a cor dos cabelos, dificilmente respeitará as idéias dos jovens. Daniel Munduruku não se prendeu apenas aos valores indígenas. Antenado constantemente com a sua cultura e a dos não-índios, seu universo vai além de sua tribo. Para ele, cada aluno é uma fonte riquíssima de informação.
Dorival Elze

Daniel Munduruku

Índio da nação Munduruku, professor do Ensino Fundamental e Médio regular em Lorena (SP), escritor e antropólogo

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Henry Yu

Tião Rocha

Antropólogo, responsável pelo Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento – CPCD, uma organização não-governamental sem fins lucrativos, que promove educação popular

Na correria de prazos, metas a cumprir e calendários inflexíveis, é muito mais fácil entregar o peixe do que ensinar a pescar. Falta de tempo não pode ser desculpa, nunca! Sempre é tempo de ensinar a pensar, buscar, investigar, criar hipóteses, descobrir. Por isso, é necessário estar sempre atualizado, conhecer novas técnicas de aprendizagem, acompanhar as novidades. Perceba como seus alunos estão sempre com a vara de pescar na mão. Se têm preguiça é porque não foram estimulados o suficiente.
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Até temos essa consciência de que fala Jorge Werthein, mas no decorrer do caminho, ela é esquecida. São muitas as atribuições e atribulações do ofício de ensinar. Que essa homenagem, professor, o faça lembrar de seu objetivo, do que te fez escolher a profissão: ensinar com qualidade e formar cidadãos de qualidade. Senhores de seus sentimentos, ações e pensamentos.
Egberto Nogueira

Jorge Werthein

Representante da Unesco no Brasil

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Masao Goto Filho

Telma Weisz

Doutora em Psicologia, consultora em projetos educacionais, participou da elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais.

Que políticas educacionais e projetos pedagógicos não escravizem ou imobilizem o verdadeiro ofício do professor. Que todos tenham a oportunidade de falar e expor pensamentos, idéias. De trabalhar em ambientes abertos, justos, dinâmicos, onde possam amadurecer e aperfeiçoar técnicas e relacionamentos. Onde sejam reconhecidos e tenham a certeza da grandeza de sua missão.
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Nas tribos indígenas, os sábios são os índios mais velhos, experientes, que têm como incumbência inerente à condição de ser humano ensinar aos mais novos as técnicas de pescar, guerrear e preservar os valores culturais. Na tribo dos não-índios, os mestres são os professores. Pessoas que escolheram a profissão como uma missão de vida, uma obrigação de ser humano, índio ou não, reconhecida e valorizada por isso.
Masao Goto Filho

Pasquale Cipro Neto

Professor e consultor de Português, colunista e autor de livros

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Braz Bezerra/Album de Família

Anísio Teixeira

Educador (1900 – 1971)

A principal bandeira defendida pelo educador Anísio Teixeira era a garantia do ensino para todos. Por isso, vida e educação eram a mesma coisa para ele. Assim como se tem o direito à vida, se tem o direito à educação. Ensinar requer o mesmo cuidado que se tem com a vida. Mas educar não é tarefa para todos, e sim para aqueles que reconhecem essa finalidade existencial e tratam o ofício com a consciência de responsabilidade que a vida deve ter.
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