|
Com o contínuo
objetivo de promover e realizar debates em torno
de temas atuais relacionados com a
responsabilidade social, o Confidências Mineiras
debateu no último dia 27 de abril a utilização
da cultura como matéria-prima para o
desenvolvimento sustentável. O evento contou com
a presença do antropólogo, folclorista e
educador popular, Sebastião Rocha.
Fundador do Centro
Popular de Cultura e Desenvolvimento, Tião
Rocha, como prefere ser conhecido, desenvolve há
mais de 20 anos, projetos que já se tornaram
referência de qualidade e alternativa eficaz na
implementação de políticas públicas e sociais.
Entre eles “Meninos de Araçuaí” e “Sementinha”.
Tião Rocha iniciou
sua apresentação relatando a formação da cultura
e sua dinâmica. “Todo e qualquer ser humano tem
cultura. Esta é uma das duas verdades absolutas
da antropologia. A outra é que em todo grupo
social existem indicadores que identificam e
constroem a cultura deste grupo. Estes
indicadores são as formas organizativas
(família, comunidade, etc); as formas de fazer
(o tecnológico, o científico, o artístico); os
sistemas de decisão (o político, a liderança); o
meio ambiente (o contexto, o ecológico, etc); as
relações de produção (o econômico, o trabalho,
etc.); a memória e a visão de mundo”. Segundo
Tião Rocha, todos estes indicadores interagem
com os valores humanos, solidariedade, machismo,
racismo, amor, respeito, entre outros e
constroem uma rede de relações e processos que
formam um desenho, uma identidade daquele grupo
social. Esta rede de relações e processos é
então chamada de cultura.
Reunindo-se a
cultura à educação forma-se, então, a
matéria-prima para o desenvolvimento econômico e
social. “É preciso acolher a cultura e o
aprendizado. Aprender com a diversidade, fazer
da comunidade um espaço de convivência e
utilizar a escola de forma plural, onde o acervo
de conhecimentos circula e se renova, gerando
oportunidades e desenvolvimento”, ensina Tião.
Se, desde a infância, as pessoas aprendem com a
diversidade e a heterogeneidade cultural de sua
comunidade, no futuro terão muito mais chances
de gerar novas oportunidades, de propiciar a
inclusão e de reduzir as diferenças.
“Contribuindo com o seu próprio patrimônio
cultural, suas experiências e habilidades, para
o crescimento de seu grupo, o indivíduo se torna
responsável pela mudança do contexto e é capaz
de gerar um novo ambiente de plenitude,
felicidade, bem estar e cidadania” conclui.
Tião Rocha encerrou
sua apresentação enfatizando a importância da
integração da cultura com a educação. Para ele
todo e qualquer projeto social tem que se
transformar em projeto de aprendizagem, de
observação da realidade, de conhecimento e de
convivência para então se tornar fomentador de
oportunidades.
O próximo
Confidências Mineiras acontece no dia 25 de maio
e debaterá a norma de certificação dos projetos
de responsabilidade social empresarial, A1000.
Outras informações pelo telefone (31) 3241-6872
ou pelo e-mail
voluntariado@voluntariosdasgerais.org.br.
|